Autocuidado: muito além do que nos ensinaram
Durante muito tempo, quando eu ouvia a palavra autocuidado, ela vinha acompanhada de imagens prontas: um banho demorado, ir ao salão de beleza, fazer compras ou um chá quente no fim do dia.
Tudo isso pode, sim, ser autocuidado.
Mas não é só isso.
Meu nome é Adiana Garlini. Sou Terapeuta e Mentora de Autocuidado e cheguei até aqui não por um caminho linear, mas por necessidade. O autocuidado entrou na minha vida como aprendizado e, com o tempo, tornou-se prática diária. Hoje, além de sustentar minhas escolhas, ele também se tornou meu servir: acompanhar mulheres no cultivo de uma relação mais honesta e consciente consigo mesmas.
Talvez o primeiro convite desta coluna seja justamente ampliar o significado do que chamamos de autocuidado.
Autocuidar-se não é apenas tirar um tempo para si, apesar de esse ser um dos maiores desafios que enfrentamos nos dias atuais. Autocuidado envolve escuta, percepção e escolha. É reconhecer limites, respeitar o ritmo do corpo, identificar necessidades, compreender emoções e observar a própria mente.
Vivemos em uma cultura que, muitas vezes, associa autocuidado a consumo, recompensa ou performance, como se ele viesse apenas depois de dar conta de tudo. Mas o autocuidado verdadeiro não começa após a exaustão. Ele se constrói no cotidiano, nas pequenas escolhas, nas pausas necessárias e na atenção ao que nos atravessa.
Diante de tantos desafios diários, quão difícil tem sido ouvir a si mesma?
Pesquisas nos mostram os impactos dessa desconexão: uma sociedade adoecida, com dificuldades para dormir, altos níveis de ansiedade, burnout, depressão e tantos outros desequilíbrios emocionais.
Autocuidado é um modo de viver.
Um caminho de presença, responsabilidade e gentileza consigo.
Ao longo desta coluna, o convite será esse: olhar para o autocuidado não como mais uma tarefa, mas como uma prática possível, humana e profundamente transformadora. Lembrar que, antes de tudo e de todos, você é prioridade. Tudo o que existe na sua vida só é possível porque você existe primeiro. Priorizar-se, portanto, não é egoísmo, é vital para que tudo ao seu redor continue vivo.
Você merece se tratar com a mesma gentileza que oferece a quem ama.

