A beleza de ser mulher: autocuidado como retorno à essência
Minha segunda coluna não poderia deixar de dialogar com o mês da mulher. Falar de autocuidado, especialmente para mulheres, exige antes de tudo compreender a natureza desse ser chamado mulher.
Ser mulher no mundo em que vivemos não é simples. Carregamos uma história marcada por lutas por respeito e igualdade e, ainda hoje, convivemos com notícias constantes de violência, crueldade e desrespeito. Não é raro sentir a recusa de ser mulher, como se viver nesse corpo fosse sinônimo de sofrimento. Eu mesma já senti isso, até compreender a profunda beleza de ser mulher.
Esse cansaço é compreensível. Avançamos em direitos, mas acumulamos responsabilidades. O trabalho fora de casa não veio acompanhado de uma divisão justa do cuidado, e muitas mulheres passaram a “dar conta de tudo”, muitas vezes sozinhas.
Essa realidade nos afastou da nossa natureza mais profunda. O mundo ensinou que, para existir, é preciso ser produtiva, forte e resistente. Disse às mulheres: se quiserem pertencer, precisam agir como os homens. E foi aí que algo muito precioso se perdeu.
Nossa história de luta foi e é necessária, mas talvez agora seja o momento de um novo movimento: o retorno à essência.
Quando perguntamos o que é ser mulher, muitas respondem com palavras como forte, guerreira, resiliente. Essas qualidades foram desenvolvidas por necessidade. A força mais profunda da mulher, porém, não é a força bruta. Ela está na sensibilidade, na capacidade de sentir, amar, nutrir e acolher. Não por acaso, somos o corpo que gera a vida.
Gerar vida exige presença, cuidado e amor. A mulher é casa, abrigo e sustentação. Para mim, ela é a expressão mais próxima do amor criador, pois carrega em si o dom sagrado de propagar a vida.
Mulher, você é sagrada. Pode ser tudo o que quiser ser, mas não deixe de ser quem essencialmente você é. Resgatar a sensibilidade não é retrocesso, é urgência. O mundo precisa reaprender a sentir, a amar e a cuidar.
E aqui fica um desejo profundo a todas as mulheres: amem-se com verdade. Amem ser mulher. Reconheçam em si a mais bela expressão da vida.
Permitam-se viver e sentir, com presença, essa experiência sagrada que é existir em um corpo feminino.
E aos homens, um convite: abram os olhos e o coração para a sacralidade da mulher. Aprendam com elas a sentir e a expressar emoções. Sensibilidade não é fraqueza, e vocês também podem chorar.
Tudo isso também é autocuidado.

