Outubro Rosa também é sobre elas: o que todo responsável precisa saber sobre tumor de mama em cadelas e gatas
Outubro é marcado mundialmente pela conscientização sobre o câncer de mama. E, quando falamos da saúde dos nossos animais de companhia, esse também é um bom momento para lembrar que cadelas e gatas podem desenvolver alterações e tumores nas glândulas mamárias.
Alterações na região mamária são relativamente comuns em cadelas e gatas, especialmente em fêmeas não castradas. Um nódulo ou aumento de volume na mama, porém, não significa necessariamente que se trate de um câncer. Diferentes condições podem provocar alterações nas glândulas mamárias, incluindo processos benignos, inflamatórios e neoplásicos, com comportamentos biológicos distintos. Por isso, toda alteração mamária merece avaliação veterinária para determinar sua origem e, quando necessário, indicar a investigação adequada.
Como identificar uma alteração mamária?
Os tumores mamários podem se apresentar como pequenos nódulos ou massas de diferentes tamanhos, geralmente localizados próximos aos mamilos ou ao longo das cadeias mamárias. Algumas alterações podem ser facilmente percebidas durante o carinho ou a palpação, enquanto outras são muito pequenas e podem passar despercebidas.
Também podem ocorrer alterações na pele, aumento de volume, fixação aos tecidos, ulceração ou, em alguns casos, aumento de linfonodos próximos.
Por isso, observar regularmente o corpo do animal e procurar atendimento veterinário diante de qualquer alteração é uma forma importante de cuidado.
Toda alteração mamária é câncer?
Não.
As alterações mamárias podem ter diferentes origens e comportamentos, incluindo lesões benignas e malignas. Além disso, características como tamanho, consistência, mobilidade ou ausência de dor não são suficientes, isoladamente, para determinar a natureza de uma lesão.
Por isso, um nódulo não deve ser automaticamente associado ao câncer, mas também não deve ser ignorado. A avaliação veterinária é importante para determinar quais exames são indicados e compreender melhor aquela alteração.
O diagnóstico e a definição do comportamento da lesão dependem da avaliação do paciente e, quando necessário, de exames complementares.
Por que qualquer alteração merece avaliação?
Porque o diagnóstico precoce permite identificar a natureza da lesão e avaliar o animal de maneira individualizada.
Durante a consulta, o médico-veterinário realiza o exame físico e avalia as cadeias mamárias, os linfonodos e as condições gerais do paciente. Conforme as características encontradas, podem ser indicados exames complementares para auxiliar na investigação e no planejamento do tratamento.
A citologia, pode fornecer informações importantes sobre as células presentes na lesão e auxiliar na diferenciação entre determinados processos. Entretanto, ela nem sempre consegue definir com segurança se uma neoplasia é benigna ou maligna.
Já o exame histopatológico, realizado a partir de uma amostra de tecido ou da própria lesão removida, permite avaliar a arquitetura do tumor e suas características microscópicas, sendo fundamental para a classificação e, quando aplicável, a graduação da neoplasia. Essas informações ajudam o médico-veterinário a compreender melhor o comportamento do tumor e a estabelecer os próximos passos do tratamento.
“Vou esperar para ver se cresce.” É uma boa ideia?
Não é recomendado utilizar o crescimento como forma de descobrir se um nódulo é preocupante.
Uma lesão pequena pode ser benigna ou maligna, e o fato de não estar crescendo perceptivelmente não é suficiente para descartar uma neoplasia. Da mesma forma, uma lesão maior não deve ser automaticamente interpretada como câncer.
A avaliação precoce permite investigar a alteração enquanto ela ainda é pequena e, quando necessário, realizar o planejamento diagnóstico e terapêutico de acordo com as características daquele paciente.
Nas neoplasias mamárias, fatores como o tipo histológico, o grau do tumor, seu tamanho e a presença ou ausência de disseminação para outros locais podem influenciar o prognóstico. Por isso, cada caso precisa ser avaliado individualmente.
Cuidar também é observar
O Outubro Rosa nos lembra da importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Para cães e gatos, a mensagem também é válida: conhecer o corpo do seu animal, observar mudanças e procurar orientação profissional diante de qualquer alteração pode fazer parte de uma rotina de cuidados.
Encontrar um nódulo não significa necessariamente encontrar um câncer. Mas significa encontrar uma alteração que merece ser investigada.
Quanto antes essa investigação acontece, mais informações estarão disponíveis para que o médico-veterinário possa orientar a família sobre as possibilidades e os cuidados necessários para aquele animal.

