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Ruas em Siderópolis levam o nome de descendentes e imigrantes italianos

ASSESSORIA PMS / TEXTO: JATENE MACEDO / FOTOS: EDUARDO SCUSSEL

O prefeito Hélio Cesa, o Alemão, sancionou a Lei nº 2.331 e efetivou a colocação do nome de dois descendentes e um imigrante italiano em ruas do município. A Rua Sondador Antonio Comin, localizada no Loteamento Jardim Vista Alegre, no bairro Santa Luzia, com início na Estrada Bortolo Scarmagnani e término na Rua Projetada B. A Rua Pedro Cesa, também localizada no Loteamento Jardim Vista Alegre, no bairro Santa Luzia, com início na área de domínio da empresa TBG (apenas referência) e término na Estrada Geral de acesso à Eletrosul. A Rua Albino Dassi, também localizada no Loteamento Jardim Vista Alegre, no bairro Santa Luzia, com início na Rua Pedro Cesa e término no limite territorial do Loteamento.

A Lei é de autoria do vereador Pedro Valcir de Souza e antes de ser sancionada pelo prefeito, teve aprovação do Poder Legislativo. “Recentemente já nomeamos uma Rodovia com o nome também de um imigrante italiano, Rodovia Municipal Michelangelo Viola. Isso mostra nosso reconhecimento pela conquista e pelas dificuldades que eles tiveram com a vinda para região. Devemos muito a eles”, disse o prefeito Alemão.

Antonio Comin era filho dos imigrantes italianos, Guerino Comin e Oliva Comin, e Albino Dassi foi filho do imigrante italiano, Angelo Dazzi e de Maria Tramontin Dazzi. Já Pedro Cesa imigrou na região junto com seus pais.

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Pedro Cesa

Pietro Cesa nasceu em Polpet, “comune” de Ponte nelle Alpi, Província de Belluno, Região do Vento – Itália – em 26 de dezembro de 1890. Chegou ao Brasil em 18 de julho de 1891, e a seus pais foi destinado o Lote 64, com área de 27,8 hectares, na Seção Estrada de Urussanga do Núcleo de Nova Belluno, parte integrante da Colônia Nova Veneza, na primeira grande leva de imigrantes italianos, hoje município de Siderópolis.

Seus avós Pietro Cesa e Antonia Maraga permaneceram na Itália, e para o Brasil vieram, também seu tio Vetore e esposa Luigia Constantin, e seus pais Antonio Cesa e Giulia Petrobon, sendo que Antonio tinha 45 anos e Giulia 34.

Com Pietro vieram os irmãos Luigia com 17 anos, que aqui casou com Giuseppe Contessi; Giuseppe, com 13 anos, que casou com Giuseppina Olivo; Dozolina, com 16 anos, que casou com Carlo Olivo; Luigi, com 3 anos, que adulto, casou com Libera Damin; Pietro, casou com Cecilia Búrigo, filha de Francesco Búrigo (“Checo Sessanta”) e Cristina Spilere. No Brasil nasceu Máximo, que casou com Adele Búrigo.

Estabeleceram-se os irmãos Antonio e Vetore no meio da floresta, em direção a Urussanga, numa clareira que passaram a chamar “Madona dela Salute”, por ser a padroeira de Polpet e cuja imagem trouxeram consigo.

Numa vila, muito estreita, no centro histórico de Polpet, na VIA FIORE CESA, a casa da Família Cesa está lá, desabilitada, resistindo ao tempo. Trata-se de uma construção em pedra, pequena, com dois pavimentos, sem janelas para o frio não entrar. Na Itália, durante os rigorosos invernos dos Alpes, os animais eram abrigados, à noite, no piso inferior para não morrerem de frio.

Na única porta da casa, uma centenária videira, plantada por eles, ainda produz uvas, e nos pastos, ao lado da casa, estruturas da antiga estalagem, que abrigava as carroças, com as quais os dois irmãos praticavam o comércio da planície às montanhas. Compravam à vista na região “padana”e vendiam a prazo aos pobres montanaros, não deu outra: foram à falência e por isto resolveram imigrar. Na saída do navio, no Porto de Genova, há quem diga que um deles, profeticamente, gritou bem alto: “Preferisco Che la nave vada a pico Che ritornare in Italia.” (Prefiro que o navio afunde do que retornar a Itália).

Contavam os antigos, que ao partirem de sua casa, ruma ao trem em Belluno, após um longo trajeto, juntamente com outras famílias, notaram a falta do bambino Pietro. Alguém voltou e lá estava ele, dormindo, tranquilo no seu berço.

Pietro e Cecilia tiveram oito filhos: Adelino, que casou com Maria Donadel, ela morreu no parto aos 20 anos; Otília, que casou com Lino Pasquali; Olírio, que casou com Vitalina Savi; Corina, que casou com Pedro Gali e oi morar em Palotina (PR); Dora, que casou com Pedro Feltrin, e mora em Curitiba (PR); Adorotéa, que casou com Vivino Betiol; Raulino que casou com Selita Sachetti, e Itelvina que casou com Wenceslau Billieri e mora em Criciuma.

O imigrante italiano Pietro Cesa, que aqui chegou com seis meses de vida, faleceu no dia 10 de julho de 1960, com 69 anos, e foi sepultado no Mausoléu da Família Cesa, no Cemitério São João Batista, em Siderópolis.

Albino Dassi

Albino Dassi nasceu em 8/9/1918, na localidade de Nossa Senhora da Saúde, no recém-criado distrito de Nova Belluno (23/8/1913), integrante do município de Urussanga, hoje a cidade de Siderópolis. Filho do imigrante italiano Angelo Dazzi e de Maria Tramontin Dazzi. Sua mãe Maria Tramontin nasceu em 1891, em alto mar, durante uma viagem de navio que transportava os imigrantes italianos para a Colônia Nova Veneza, no sul do Estado de Santa Catarina. Seu avo Luigi Dazzi, imigrante italiano, ocupou o lote nº 64 com 31 hectares de terra, na Seção Estrada de Urussanga, no Núcleo Nova Belluno, em 18/7/1891, sendo os Dazzi uma das famílias da primeira grande leva de imigrantes que fundaram o município de Siderópolis.

Buscando novos horizontes para sua vida, além de agricultor, Albino procurou aprimorar-se na profissão de carpinteiro, conseguindo seu primeiro emprego na Cia Siderúrgica Nacional (CSN) em 31/1/1944, e onde prestou serviços até 11 de setembro de 1947, participando ativamente na construção das casas destinadas aos funcionários mais graduados da empresa, local conhecido como Vila Residencial, em Nova Belluno, empreendimento demolido pela própria companhia no início da década de 1960. Trabalhou por pouco tempo em Curitiba (PR) no setor da construção civil, na empresa de Ricardo Pussoli, sendo em seguida contratado pela Carbonífera Trevisa S/A, estabelecida em Siderópolis, em 2/1/1956, permanecendo nesta empresa até sua morte em 3/5/1981.

Como funcionário da Carbonífera Treviso S/A, Albino Dassi participou em 30/4/1964 da fundação da TREVINCO – Cooperativa de Consumo dos Empregados da Carbonífera Treviso S/A, e que mais tarde, em 17/3/1974, recebeu uma nova denominação, sendo conhecida atualmente pelo nome COOPERCA – Cooperativa de Consumo dos Operários da Região Carbonífera, sediada em Siderópolis. Participou, também, da construção e reforma do Siderópolis Clube, fundado em 31 de março de 1967.

Nas proximidades do local onde trabalhou pela primeira vez com carteira assinada, na comunidade de Rio Albina, conheceu Noêmia Rossa, que viria ser sua esposa em 16/2/1946, de cuja união nasceu 13 filhos: Alzira, Angelina, Angelo, Clélia, Helena, Janete, Maria, Nelso, Nilso, Nilton, Rita, Rosa e Sandra.

Albino Dassi foi um exemplar pai de família que teve a incumbência, juntamente com Noêmia, de encaminhar a sociedade os seus filhos, de maneira simples, honrada e com educação. Hoje somam mais de 26 netos e 27 bisnetos descendentes do casal Albino e Noêmia.

Antonio Comin

Antonio Comin nasceu em São Defende, povoado extinto pela indústria do carvão, município de Siderópolis, em 23/6/1912. Filho dos imigrantes italianos Guerino Comin e Oliva Comin, trabalhou como agricultor até os vinte e nove anos de idade, quando foi admitido pela Companha Siderúrgica Nacional (CSN) em 13/02/1942, recebendo inicialmente a quantia de Cr$ 1,80 por hora trabalhada, no cargo de sondador, ofício esse que exerceu até sua aposentadoria, por invalidez, em 19 de dezembro de 1962.

Antonio Comin casou-se com Herminda Cesa Comin (filha de João Cesa) em 20 de julho de 1940, constituindo família, com três filhos, Guerino Comin, Maria Ana Comin Sandrini, residentes na área central de Siderópolis, ambos na Rua Benjamin Constant e Norma Comin Lopes estabelecida em Criciúma.

Após sua aposentadoria, Antonio volta à sua atividade inicial, a agricultura, explorando terras que foram de seu pai, nas proximidades da subestação da Eletrosul, dedicando-se ao cultivo de bananas.

Guerino Comin, herdeiro das terras de seu pai, dá continuidade ao cultivo de banana até o ano de 2014, quando vende seu imóvel a uma empresa de Criciúma, especializada na implantação e comercialização de loteamentos residenciais.

Antonio Comin veio a óbito em 16 de junho de 1991, no Hospital São João Batista, em Criciúma, por insuficiência cardíaca, com 78 anos de idade e seu corpo foi sepultado no cemitério município de Siderópolis.

Biografias: Nilso Dassi e Selita Cesa.

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