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Siderópolis: muitos motivos para se orgulhar

REPORTAGEM ESPECIAL: DN SUL

Janelas e portas abertas, pássaros cantando, vizinhos conhecidos e um verdadeiro espírito de comunidade. Esses são os detalhes que não passam despercebidos aos olhos dos turistas que visitam Siderópolis. Na Praça Matriz, no centro da cidade, o autônomo José Carlos Constantino, 61 anos, observa o movimento calmo de carros e pedestres. De segunda à sexta-feira, é assim que o dia começa e termina. Para ele, a tranquilidade é a principal qualidade do município. “Aqui existe uma paz que não tem igual. Não é igual as cidades grandes como São Paulo e nunca pensei em sair daqui. Moro no bairro Rio Fiorita com a minha família”, afirma.

Andando pela cidade é comum encontrar pessoas com histórias que ultrapassam gerações. A família do aposentado Laércio José Cifuennts, 80 anos, está em Siderópolis desde o início da colonização italiana. “Amo esse lugar, e nem faço questão que cresça. Gosto das pessoas, da tranquilidade, mas gostaria de ver mais famílias na Praça”, destaca.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), a cidade possui 13.920 moradores. De acordo com dados da Delegacia de Polícia Civil do Município até o dia 31 de setembro foram registrados 16 roubos, sendo que desses, 13 foram elucidados. Os casos resultaram em 10 prisões. Na cidade não ocorreu nenhum homicídio doloso – aquele com intenção de matar – em 2018.

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Uma vida construída em Siderópolis

Aos 79 anos, o aposentado e ex-comerciante Darcy Possoli, fala com orgulho de Siderópolis. Nascido em Treviso, cidade vizinha do município, passou boa parte da vida atendendo e recebendo pessoas atrás de um balcão. Função que iniciou em 1945, quando na Segunda Guerra Mundial faltou açúcar nos mercados da região, e a família apostou na venda de balas para adoçar o café. Não há nenhum morador de Siderópolis que não tenha passado pela venda do Darcy. Lá era possível encontrar uma grande variedade de produtos ou “tudo o que era bom”, como ele mesmo faz questão de descrever. Para ele, a tranquilidade de Siderópolis, é apenas um dos tantos outros atrativos que a cidade possui. “Conheço todos os vizinhos e por onde passo todo mundo me cumprimenta. Sou muito feliz aqui”, comenta.

Escolas municipais trabalham cultura afro-brasileira

“O que você quer ser quando crescer?” a pergunta feita por uma professora tem rondado a cabeça de Oyá, uma menina de seis anos que usa tererês coloridos na ponta dos cabelos trançados. A personagem criada pela escritora de Siderópolis, Giselle Marques, busca despertar em outras crianças valores como pertencimento e ancestralidade. Nas escolas do município, desde o inicio do ano letivo, uma série de projetos discutem e trabalham a representatividade da cultura negra. A ideia é estimular a implementação da Lei 11.645/08, que estabelece o ensino da história afro-brasileira e africana nas escolas públicas e particulares, do ensino fundamental ao médio.

O brilho nos olhos de Oyá, pela ilustração de Íris Palo, traduz o protagonismo de uma personagem negra que se destaca na literatura infantil. Mesmo tão pequena, tem um grande desafio: compartilhar sua história para que outras crianças negras se sintam representadas. “Nasci no Rio de Janeiro, mas moro em Siderópolis desde criança. Sou a primeira escritora negra do município. Atualmente trabalho como arte educadora e também com performances de gênero. Busco transmitir uma imagem positiva da nossa cultura, principalmente para as crianças”, explica.

A escritora prepara o lançamento de mais uma obra para maio de 2019. O livro “Luiza” irá abordar a história das mulheres negras em Santa Catarina. Para Giselle, projetos como a criação do livro infantil “O Mundo de Oyá” são iniciativas importantes, já que em Santa Catarina predomina uma cultura com um imaginário distorcido da realidade atual. De acordo com a escritora, os primeiros habitantes do Estado foram povos indígenas. “Com terras doadas pelo estado, formou-se em poucas décadas uma elite de imigrantes que só trabalhou para enriquecimento de outros por aproximadamente quatro séculos. Essa ascensão pelas terras é ponto chave na opressão de raça e classe não só em Siderópolis, mas todo país. Há uma urgência de descolonizar mentes e colocar em xeque os privilégios”, explica.

Paisagens e monumentos constroem a história de Siderópolis

Estrategicamente situado entre a serra geral e o litoral catarinense, o município de Siderópolis está localizado em uma das regiões mais belas de Santa Catarina. As paisagens rochosas, cachoeiras com águas cristalinas e trilhas se confundem com as belezas trazidas pela colonização italiana. São sete mil hectares de fauna e flora preservados pela Reserva Estadual do Aguaí, sendo que desses, 60% estão dentro do território da cidade. A Barragem do Rio São Bento, construída para abastecer seis municípios da região, também faz parte do cartão-postal de Siderópolis. Com um lago de 450 hectares, o local proporciona aos visitantes o contato direto com a natureza.

O município aderiu recentemente ao Mapa Nacional, uma ferramenta do Ministério do Turismo para destacar as potencialidades de cada cidade. Outra estratégia para atrair visitantes, é promover e apoiar eventos como a Abertura da Temporada da Montanha e anualmente, o Festival da Montanha.

Além das edificações e construções que relembram a passagem dos imigrantes italianos, a principal herança deixada pelos colonos foram as tradições religiosas. Igrejas e grutas fazem parte do roteiro da cidade. Entre elas, uma pequena capela de alvenaria construída em 1928 para abrigar a imagem de Santa Ana trazida da Itália. Em 1977, o então prefeito Dilnei Rossa, tornou o local patrimônio histórico do município, de acordo com o Decreto 1.835.

Maior imagem de Nossa Senhora de Fátima do país

Siderópolis também abriga a maior imagem de Nossa Senhora de Fátima do Brasil, construída na comunidade de Vila São Jorge. A imagem localizada atrás da Capela de São Francisco de Assis mede 21,5 de altura e finalização da obra só foi possível com a união dos moradores da Vila São Jorge. Conforme uma das responsáveis pelo local e moradora da comunidade, Maria Salvaro, a construção da imagem de Nossa Senhora de Fátima surgiu após uma promessa da mãe, Olívia Ronchi Salvaro, já falecida.

“Um dia ela estava com meu irmão, Clésio Salvaro, na área de casa. Ele disse que era um terreno bom para construir uma casa, mas nossa mãe falou que era bonito para colocar a imagem de Nossa Senhora de Fátima, ela era muito devota”, conta.

Mais de mil pessoas visitam a imagem por mês e comunidades da região realizam todos os meses uma celebração especial em homenagem a Santa. “No dia 13 de cada mês, às 19h30min, recebemos grupos de outras cidades para rezar a missa”, afirma Maria.

No campo, o sustento e garantia de qualidade de vida

A agricultura ainda é a principal fonte de renda para muitas famílias no interior de Siderópolis. Na pesquisa realizada pelo Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem mais de 250 estabelecimentos agropecuários no município. Nessas áreas, a comercialização da banana pode representar até 40% da renda dessas propriedades, sendo que no município existem aproximadamente 290 hectares destinados ao plantio do fruto. Em média, a produção anual é de 12 toneladas.

A propriedade do agricultor Aldo Zanin, 67 anos, é um exemplo. A bananicultura é a principal fonte de renda da família e toda produção é comercializada para o Rio Grande do Sul. “Sempre fui morador de Siderópolis e me orgulho da vida que construí aqui, nos últimos anos, nós recebemos ainda mais incentivos com a pavimentação das estradas o que facilita no escoamento da produção”, afirma.

Mesmo com as dificuldades e pouco lucro, já que atividade está cada vez mais desvalorizada, o agricultor nunca pensou em mudar o foco da produção. “A nossa cidade é um local onde temos confiança para investir. Nós temos fartura e mesmo recebendo pouco não temos saída, já fazemos esse trabalho com os olhos fechados. Hoje conto com o auxílio de dois irmãos”, explica.

Décimo maior produtor de cachaça de Santa Catarina

Além da banana, a cidade produz anualmente 55 mil litros de cachaça em 15 estabelecimentos. A área cultivada de cana de açúcar, segundo o último levantamento da Epagri, é de 25 hectares. Segundo dados do Censo Agropecuário, cidade é a terceira de Santa Catarina com maior número de propriedades e está em décimo lugar em quantidade de bebida produzida.

Aos poucos, Siderópolis demonstra outras vocações e a produção de laticínios é uma delas. Ao todo, 37 famílias fazem parte da Associação de Criadores de Gado de Leite e Corte Rio Jordão, tendo como principal atividade a bovinocultura do leite. Toda a produção que pode ultrapassar 1,5 mil litros por ano, é destinada a quatro agroindústrias radicadas no município. O rebanho bovino é formado por mais de 6 mil animais divididos pela aptidão: leite são 1.719, corte 2.564 e mista 1.946. Na avicultura de corte, 50 famílias atuam na criação de frangos.

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Criado em 9 de março de 2017

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