48 anos de música e tradição: Coral Peregrinos da Montanha mantém viva a cultura italiana
Com repertório ligado à música de montanha e à tradição alpina, grupo já realizou apresentações internacionais pela europa
Entre rimas e vocais alinhados, existe um propósito que vem sendo cumprido há 48 anos. No dia 19 de agosto de 1978, em Caravaggio, um grupo se reuniu pela primeira vez para preservar a cultura e resgatar as tradições dos imigrantes que formaram a região do sul de Santa Catarina. Assim, foi fundado o Coral Peregrinos da Montanha, com o objetivo de conservar as canções europeias.
O público recebeu o grupo pela primeira vez no dia 11 de novembro de 1978. O espaço preenchido pela música foi o Salão Anchieta, em Caravaggio, que recebeu canções como Signore delle Cime e La Partenza dell’Alpino. Com o passar do tempo e a ampliação das atividades, o coral passou a se apresentar em eventos religiosos e recitais. Desde então, o grupo ampliou o repertório e conquistou espaço em inúmeros festivais pelo país, além de realizar apresentações internacionais.
Uma delas ocorreu em 1998, durante uma turnê pela região norte da Itália, quando o grupo foi recebido como representante oficial do Brasil e homenageado por prefeitos, câmaras municipais e até pelo Governo da Região do Vêneto. Em 2011, o coral também realizou uma viagem ao Uruguai, onde teve outra experiência internacional.
A música como uma porta para novos caminho
A formação como coro polifônico e de vozes iguais contribuiu para a trajetória musical do grupo, que participou de festivais no Brasil e no exterior, incluindo eventos em Salvador (BA) e Poços de Caldas (MG). Na cidade do carvão, o coral esteve presente em todas as edições do Festival Internacional de Criciúma promovidas ao longo dos anos.
Para os integrantes, essas experiências reforçam a importância da convivência entre diferentes grupos e da manutenção das tradições. “O nosso pagamento é levar o conhecimento para o mundo. Esse nosso empenho, essa nossa categoria, essa nossa disponibilidade, esse nosso amor, esse sangue que corre nas nossas veias, essa música italiana”, destaca o presidente do grupo, José Margotti.
Quando as rimas ainda estavam sendo iniciadas
A história dos Peregrinos da Montanha começou em agosto de 1978, durante um jantar na cancha de bocha do senhor Toni Ronchi. Na ocasião, em meio a uma roda de cantoria, o professor e músico Luiz Ângelo Cirimbelli, de Turvo, e Círio Milanese propuseram a formação de um coral de vozes masculinas dedicado à preservação das canções italianas.
A ideia ganhou adesão, e 36 homens participaram de uma assembleia realizada na então Escola Humberto Hermes Hoffmann, em Caravaggio, Nova Veneza. Durante o encontro, o grupo recebeu o nome de Peregrinos da Montanha, sugerido por Alcides Milanez, consolidando a identidade do coral.
Em 1986, oito anos após a fundação, o grupo inaugurou a própria sede, construída em um terreno doado por Círio Milanese, um dos fundadores. Desde então, o local é utilizado para os ensaios, realizados todas as terças-feiras, e permanece aberto para visitação.
As vozes unidas em um disco
Ao longo dos anos, a missão de preservar a cultura italiana também se refletiu na produção fonográfica do grupo. Foram gravados quatro álbuns: Canti dei Nostri Antenati, lançado em 1996, 2000 e 2008, além de um CD/DVD comemorativo aos 40 anos, produzido em 2019. O repertório já reúne mais de 150 músicas, das quais 60 foram registradas em CD e 15 também em DVD. Além disso, parte dessa trajetória foi retratada em um documentário.
O coro permanece unido em uma só voz
Em 48 anos de trajetória, os Peregrinos da Montanha mantêm como característica o repertório ligado à música de montanha e à tradição alpina. O principal segmento musical é o canto polifônico à capela, com destaque para a música clássica italiana, a música sacra e o estilo alpino.
Atualmente, o coral conta com 26 coralistas, além do maestro. Entre os integrantes, permanece Hidalino José Colombo, único remanescente do início dos trabalhos do grupo.
Ao longo de sua história, 127 coralistas já passaram pelo grupo, que também teve diferentes maestros: Luiz Ângelo Cirimbelli, Neri Milanês, Antônio Amboni, Valdeni Zanetti e, atualmente, Edson Antônio Ghisleri.
A união de rimas e talentos
Para fazer parte do Coral Peregrinos da Montanha, não é necessário ter experiência: basta ter vontade de cantar. O grupo mantém as portas abertas para novos integrantes e realiza um pequeno teste para identificar o timbre de voz mais adequado a cada participante.
De acordo com Margotti, a intenção é ampliar a participação e incentivar a entrada de jovens, garantindo que a cultura italiana permaneça viva nas próximas gerações.



