Seu pet sente dor? Os sinais silenciosos que muitos responsáveis não percebem
Olá! Meu nome é Joana Duvina Toffoli, sou médica veterinária e, a partir de agora, estarei quinzenalmente aqui no jornal compartilhando um pouco mais sobre o universo da Medicina Veterinária de pequenos animais.
O intuito dessa coluna é trazer informações úteis, acessíveis e do dia a dia sobre a saúde e o bem-estar de cães e gatos, aproximando a medicina veterinária da rotina dos responsáveis de forma leve, prática e acolhedora.
Ao longo dos próximos meses, vamos conversar sobre prevenção, comportamento, doenças, cuidados e muitos outros temas importantes para ajudar os responsáveis a entenderem melhor seus pets e oferecerem mais qualidade de vida a eles.
Nem toda dor é fácil de perceber
Diferente de nós, humanos, cães e gatos tendem a não demonstrar a dor de forma evidente. Isso não acontece por acaso. Os animais carregam instintos ancestrais de sobrevivência, o que os leva a esconder sinais de fraqueza, desconforto ou vulnerabilidade. Na natureza, demonstrar dor poderia significar perigo.
Por conta disso, muitas vezes a dor aparece de forma silenciosa, através de mudanças sutis no comportamento que passam despercebidas no dia a dia.
Mudanças sutis que merecem atenção
É comum que o atendimento veterinário seja procurado quando o animal apresenta vocalização intensa, falta de apetite ou dificuldade severa de locomoção. Porém, na Medicina Veterinária, aprendemos que os sinais podem começar muito antes disso.
Pequenas mudanças como irritabilidade, apatia, menos disposição para brincar, dificuldade para subir em locais altos, sensibilidade ao toque, isolamento, alterações no sono ou até um animal “mais quieto que o normal” merecem atenção.
Animais geriátricos precisam de uma atenção ainda maior. Muitos cães e gatos convivem durante anos com dores articulares e desconfortos crônicos que acabam sendo confundidos com “coisa da idade”. Mas envelhecer não deve ser sinônimo de viver com dor.
Mitos que podem atrasar o diagnóstico
Outro ponto de alerta: existem algumas crenças comuns entre os responsáveis, como “se esta comendo, ele está saudável” ou “essa raça é assim mesmo”. Sinais não devem ser ignorados ou subestimados.
Na prática, muitos animais continuam se alimentando mesmo com a dor, desconforto ou adoecidos. As características comportamentais de determinadas espécies não devem servir para normalizar sinais clínicos. Coceiras constantes, dificuldade respiratória, limitações físicas ou alterações comportamentais merecem atenção sempre.
Observar o comportamento do animal continua sendo uma das ferramentas mais valiosas para a detecção precoce de doenças. Pequenos sinais podem fazer grande diferença no diagnóstico, tratamento e, principalmente, na qualidade de vida do animal.
Na Medicina veterinária, cuidar também significa perceber aquilo que o pet não consegue demonstrar claramente.
Mais do que informar, meu intuito é conscientizar e aproximar a medicina veterinária da realidade dos responsáveis, trazendo conhecimento útil, acessível e aplicável no cuidado diário com os animais.

