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Ansiedade de separação: quando a saudade vira sofrimento

É comum ouvirmos frases como: “Meu cachorro não consegue ficar um minuto longe de mim”, “Ele destrói a casa quando saio” ou “Ele chora até eu voltar”. Muitas vezes esses comportamentos são vistos como demonstrações de amor ou até mesmo de “manha”. No entanto, eles podem indicar um problema comportamental chamado ansiedade de separação.

A ansiedade de separação ocorre quando o animal apresenta um nível intenso de estresse ao permanecer sozinho ou afastado da pessoa com quem possui maior vínculo. Nesses momentos, ele não está tentando chamar atenção ou “se vingar” do tutor. Ele realmente está sofrendo.

Quais são os sinais?

Os sinais podem variar entre vocalização excessiva, destruição de objetos, eliminação de urina ou fezes em locais inadequados, tentativas desesperadas de fugir, salivação intensa, respiração ofegante e até perda do apetite. Em alguns casos, o animal pode se machucar tentando escapar.

Outro ponto importante é que alguns comportamentos considerados “fofos” também merecem atenção. Um cão que precisa acompanhar o tutor até o banheiro, que não consegue descansar se a pessoa muda de cômodo ou que entra em desespero ao perceber sinais de que o tutor vai sair de casa pode estar demonstrando uma dependência emocional excessiva, e não apenas carinho.

Amor também é respeitar a natureza do seu pet

Isso não significa que devemos oferecer menos afeto aos nossos pets. Pelo contrário. O que precisamos é compreender que cães e gatos possuem necessidades comportamentais próprias. Eles não são “humanos pequenos”. Precisam de enriquecimento ambiental, estímulos físicos e mentais, rotina previsível, momentos de descanso e também aprender, de forma gradual e positiva, que ficar sozinho faz parte da vida.

Prevenção

A prevenção começa desde filhote, incentivando a autonomia do animal, evitando reforçar comportamentos de dependência e proporcionando atividades que ocupem seu tempo quando estiver sozinho.

Quando os sinais já estão presentes, a punição nunca é a solução. Gritar, prender ou repreender o animal apenas aumenta o medo e a ansiedade. O tratamento deve ser individualizado e pode envolver mudanças no manejo, enriquecimento ambiental, treinamento baseado em reforço positivo, acompanhamento com um adestrador qualificado e, em alguns casos, avaliação do médico-veterinário para investigar doenças associadas e indicar medicações quando necessário.

Buscar ajuda faz toda diferença

A ansiedade de separação é uma condição que pode comprometer significativamente o bem-estar dos animais, mas, com diagnóstico precoce e abordagem adequada, é possível melhorar sua qualidade de vida e fortalecer uma relação saudável entre tutor e pet.

Afinal, amar um animal também significa compreender sua natureza, respeitar seus limites e oferecer os cuidados de que ele realmente precisa.