Colunistas

Quando ser mulher também é sentir medo?

Você já teve medo de andar sozinha à noite?

Você já mudou a roupa porque pensou que poderia chamar atenção demais?

Você já silenciou diante de uma piada, de um comentário ou de um olhar malicioso por medo das consequências?

Você já foi ameaçada no trabalho por não fazer aquilo que esperavam de você?

Infelizmente, para muitas mulheres, essas perguntas não são hipotéticas. Elas fazem parte da vida cotidiana.

Ao longo da minha trajetória, também vivi situações de abuso moral, ameaças e violência psicológica. E, ao conversar com outras mulheres, percebo o quanto essas histórias se repetem. São experiências que deixam marcas no corpo, na autoestima e na forma como ocupamos os espaços do mundo. Até hoje eu não conheci uma única mulher que não tenha sofrido algum tipo de abuso ou violência.

Vivemos em uma sociedade que ainda tenta dizer como uma mulher deve se vestir, falar, andar e se comportar. Quando escolhemos ser autênticas, frequentemente somos julgadas, criticadas ou excluídas. E, quando uma violência acontece, ainda é comum que a culpa recaia sobre a vítima: a roupa, o horário, o lugar, o comportamento.

Quantas mulheres deixam de usar uma roupa que gostam? Quantas mudam seus caminhos? Quantas escondem o próprio corpo para tentar evitar um olhar invasivo? Quantas permanecem em relações violentas porque não encontram apoio, segurança ou condições para romper esse ciclo?

É justamente por isso que precisamos fortalecer redes de mulheres. Redes de escuta, acolhimento e autocuidado mútuo. Redes que nos lembrem que nenhuma de nós precisa enfrentar o medo sozinha. Porque, quando uma mulher encontra um espaço seguro para ser ouvida, acolhida e respeitada, ela começa a recuperar algo que a violência tenta lhe tirar: a confiança em si mesma e o direito de existir plenamente.

É por isso também que, hoje, me dedico a acompanhar e guiar mulheres em processos terapêuticos individuais e coletivos, criando espaços de escuta, acolhimento, autocuidado e reconexão com o corpo.

E hoje, 7 de agosto, Dia da Lei Maria da Penha, tenho a alegria de anunciar um novo projeto que nasce justamente desse propósito e nos convida a olhar para essa realidade.

Mais do que lembrar dos números da violência contra a mulher, é preciso olhar para as marcas, muitas vezes invisíveis, que ela deixa em nossos corpos, em nossas relações e na maneira como nos percebemos. E, diante disso, precisamos criar espaços de acolhimento, fortalecimento e liberdade.

Foi desse desejo que nasceu o projeto Mulheres que Dançam: por um corpo livre, contemplado por um edital cultural, que será conduzido por mim através da dança e do movimento.

A proposta é criar um espaço seguro para que possamos reconhecer as couraças que o medo, os julgamentos e as experiências de violência foram deixando em nossos corpos, encontrando no movimento um caminho de resistência, cuidado e reconexão.

A dança, nesse contexto, não busca performance. Ela é um caminho para voltar a habitar o próprio corpo com dignidade, confiança e presença. Um convite para lembrar que nosso corpo não é um lugar de medo, mas de vida, potência e pertencimento.

E, nesse caminho, cada encontro será também uma oportunidade de fortalecer os laços entre mulheres, cultivando uma rede de apoio onde o autocuidado deixa de ser apenas um gesto individual e passa a ser também um compromisso coletivo.

Se esse tema toca você, convido para o primeiro encontro do projeto, no dia 26 de agosto, no Centro Social Urbano.

Para saber mais sobre o projeto e realizar sua inscrição, entre em contato pelo WhatsApp (48) 99820-3432. As vagas são limitadas e gratuitas.

Este projeto é um convite para todas as mulheres que desejam transformar medo em presença, silêncio em voz e isolamento em pertencimento.

Mais do que dançar, queremos construir juntas uma rede de autocuidado, apoio e fortalecimento. Uma rede que nos lembre que nenhuma de nós precisa carregar suas dores sozinha.

Quando uma mulher recupera seu corpo, recupera também sua voz. E quando mulheres se unem, tornam-se resistência, acolhimento e esperança umas para as outras.

Que possamos voltar a habitar nossos corpos com liberdade, reconhecendo que cuidar de si também é um ato coletivo.

Porque, quando uma mulher se fortalece, ela abre caminho para que outras também encontrem força para florescer.

Para conhecer mais sobre o meu trabalho com mulheres e os caminhos de autocuidado, corpo e reconexão que conduzo, visite auroraoficial.org. Será uma alegria caminhar com você.