Colunistas

O corpo da mulher: da estética ao habitar

Uma das primeiras lembranças que tenho sobre corpo e beleza vem da minha avó.
Ela sempre dizia, com toda naturalidade: “Minha filha, você está muito magra. Mulher bonita é mulher gorda.”
Eu ria. Achava curioso aquele jeito tão diferente de enxergar beleza.

Hoje entendo que o olhar da minha avó vinha de um outro tempo, de outra experiência de vida. Para ela, uma mulher bonita era uma mulher bem nutrida. E uma mulher bem nutrida era sinal de cuidado, de fartura, de uma família que conseguia se sustentar. Não por acaso, na casa dela nunca podia faltar comida. A mesa era sempre farta, como se alimentar também fosse uma forma de amar.

Essa vivência me atravessou na adolescência sem grandes questionamentos. Mas, na vida adulta, o olhar sobre o corpo mudou. Passei por fases em que me preocupei intensamente com a estética, não para me sentir bem comigo, mas para agradar, para ser aceita, para me sentir bonita aos olhos do outro. Mudei alimentação, comportamento, formas de me apresentar. E, por um tempo, acreditei que aquilo era amor-próprio.

Até que a vida me chamou para outro lugar.

Foi nesse chamado que compreendi que o corpo é muito mais do que estética. O corpo da mulher carrega uma história longa e profunda: da sacralidade à objetificação. Um corpo que já foi templo e hoje, muitas vezes, é tratado como objeto de desejo, de consumo e, infelizmente, de violência.

O corpo não está aqui para ser mostrado.
Ele está aqui para ser habitado.

Nós, mulheres, fomos ensinadas a olhar para o nosso corpo a partir do olhar do outro — da sociedade, do mercado, dos padrões, muitas vezes do olhar masculino. E, nesse processo, acabamos também objetificando a nós mesmas. Buscamos a curva perfeita, o corpo ideal, tentamos apagar os sinais do tempo, como se envelhecer fosse um erro e não um privilégio.

O convite que faço aqui é outro: olhar para o corpo que você tem hoje e encontrar beleza nele. Isso não significa abandonar o cuidado. Não significa deixar de se movimentar, de se alimentar melhor, de cuidar da pele ou da saúde. Significa apenas mudar o lugar de onde esse cuidado nasce.

Cuidar não para caber em um padrão e se tornar igual.
Cuidar por amor e encontrar sua própria beleza. O corpo da mulher carrega as curvas da natureza, os ritmos da terra, os ciclos da vida. Não por acaso é inspiração para muitos poemas, como o do arquiteto Oscar Niemeyer:

Hoje, eu não busco mais um corpo que atenda a medidas perfeitas. Reconheço o tempo que vive em mim. Amo ver o tempo passar no meu corpo. Isso não me afasta do cuidado, ao contrário. Cuido porque sei o quanto esse corpo é sagrado. Cuido porque o amo. E porque quero mantê-lo mais saudável e vivo possível para que ele sustente meus sonhos, desejos e experiências que essa vida possa me proporcionar.

As ações que faço não são para provar beleza ao mundo, mas para expressar autoamor. Não preciso mais do reconhecimento externo para saber que meu corpo é belo. Ele é belo porque é vivo. Porque sente. Porque carrega quem eu sou.

O corpo é casa.
É morada da alma.
É território sagrado.

Autocuidado, para mim, é esse retorno: sair do corpo observado e voltar para o corpo vivido. Habitar-se. Reconhecer-se. Amar-se, exatamente como se é, no tempo que se é.

Se você sente o chamado de verdadeiramente habitar o seu corpo com amor, estou aqui para caminhar com você.
Acesse www.auroraoficial.org, descubra meus serviços e permita-se encontrar um espaço de cuidado, presença e amor próprio dentro da sua vida.

Você merece existir inteira!