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Saúde

Setembro amarelo: mês alerta para a prevenção do suicídio

Um olhar atento sobre um tema ainda pouco comentado acende o alerta sobre um problema que cresce anualmente e que, cada vez mais, atinge os jovens e adolescentes. O movimento chamado Setembro Amarelo, mês de combate ao suicídio, reflete a importância da conscientização a respeito do assunto. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2015, mais de 780 mil pessoas morreram por suicídio, o que representa cerca de 1,5% de todas as mortes do mundo. Entre os jovens, de 15 a 29 anos, o suicídio foi a segunda maior causa de morte no mesmo ano.

Na psiquiatria, existem os chamados fatores de risco para o suicídio, que estão relacionados à propensão a tentar ou cometer o ato de tirar a própria vida. Quem explica é a médica psiquiatra e cooperada da Unimed Chapecó, Dra. Juliana Perizzolo. “A família deve estar atenta às mudanças de comportamento do paciente e solicitar avaliação com psiquiatra quando existe alteração. Geralmente, a pessoa que tenta ou comete suicídio deixa “pistas” de que algo não está bem ou que pode estar em risco, como por exemplo, deixar cartas de despedida ou falar que nada mais importa”, alerta a médica.

A psiquiatra afirma que a abordagem de uma pessoa com risco de suicídio sempre é complexa e exige escuta atenta e percepção delicada da situação que o paciente possa estar passando. Em geral, segundo ela, há uma percepção distorcida da pessoa que apresenta risco de suicídio, que pensa não ter mais saída para seus problemas, associada a uma rigidez do pensamento.

“Isso pode ser assinalado ao paciente de forma a mostrar que seus pensamentos e percepções podem estar alterados em função de circunstâncias ou de algum transtorno mental, como a depressão, e que sempre há possibilidade de tratamento e auxílio”, destaca ao enfatizar que, com o tratamento adequado, existe uma grande possibilidade de mudança do pensamento em direção à percepção de que podem, sim, existir várias saídas para determinadas situações e que basta estar melhor para pode enxergá-las.

A assistente social da Unimed Chapecó, Vanice Lidiane de Quevedo, reforça que suicídio constitui um problema psiquiátrico associado a alterações biológicas, psicológicas e sociais. Neste sentido, a intervenção multiprofissional e o acompanhamento psiquiátrico, psicológico e social são fundamentais para a promoção de um plano de ação terapêutico, que possibilite tratamento adequado, apoio e fortalecimento ao paciente e sua família.

Atualmente, segundo a profissional, tem aumentado os casos de tentativas suicidas que chegam até o Hospital Unimed Chapecó e os pacientes com faixa etária entre 17 e 42 anos são os de maior incidência. Vanice explica que o atendimento prestado pelo Hospital é oferecido de forma humanizada, com o objetivo de realizar o acolhimento do paciente, sua família e/ou responsáveis de forma integralizada.

“São observadas suas particularidades e o quadro clínico apresentado. É realizada avaliação e acompanhamento de equipe multiprofissional, que permite uma assistência mais unificada e acolhedora, promovendo alternativas de articulação da rede de serviços e programas, orientações preventiva de como lidar com a tentativa de suicídio e identificação das situações de vulnerabilidade pessoal e social que leve a tal contexto” ressalta.

A profissional utiliza-se de uma frase do médico psiquiatra, professor e escritor, Augusto Cury, para definir o suicídio: “Quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer, desesperadamente, matar a sua dor, mas, nunca, acabar com sua vida”. Na opinião de Vanice, o trabalho de conscientização e combate não se faz sozinho, pois, é imprescindível o apoio de uma equipe formada por profissionais, família e o paciente, como também, uma rede de atendimento que fortaleça a prevenção e políticas sociais voltadas à saúde mental. “Ou seja, a tentativa ao suicídio é um pedido de socorro. Cabe a todos nós acolher esta pessoa e propor a ela outras soluções para suas dores, que não o suicídio”, conclui Vanice.

*FATORES DE RISCO

– Sociodemográficos: sexo masculino; adultos jovens e idosos; estado civil, solteiro, viúvo ou divorciado; orientação homossexual ou bissexual; grupos étnicos minoritários, ateus ou protestantes.

– Ligados a transtornos mentais: depressão; bipolaridade; dependência química; esquizofrenia ou algum transtorno de personalidade; possuir mais de um transtorno mental simultaneamente; ter histórico familiar de transtorno mental; possuir ideação ou plano suicida e tentativas de suicídio prévias.

– Psicossociais: histórico de abuso físico ou sexual; perda ou separação dos pais na infância; instabilidade familiar; ausência de apoio social; perda afetiva recente; aniversários de datas importantes; desemprego; aposentadoria; violência doméstica; desesperança; ansiedade intensa; vergonha ou humilhação (bullying); baixa autoestima; ser impulsivo ou perfeccionista e rigidez cognitiva. Outros fatores como, acesso a meios letais, doenças físicas incapacitantes e delirium também representam risco.

Andressa Recchia/Unimed Chapecó


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